domingo, 1 de março de 2015

O REVERSO

Olá pessoas!

Era para ser em fevereiro, mas um dia para arrumar o office me fez ter esse pequeno atraso, coisas normais da vida. Espero poder publicar duas vezes então neste mês, e se a facul não apertar muito, isso será facilmente feito.

Hoje a conversa de vampiro dá lugar à série REVERSO, mas logo ela volta. Há também uma analogia sobre a vida; mais uma é verdade, e também uma ideia de como melhorar nosso comportamento no trânsito.

Boa leitura!




Analogia

Vamos considerar os fatos da vida sob uma perspectiva lógica: as coisas só podem acontecer se ações forem tomadas. Não quero me referir aqui a causas de fatores extremamente externos ao ser humano, como acidentes naturais, fúria da natureza, doenças por vírus/bactérias, etc... Vamos focar no âmbito de que uma coisa só pode acontecer com alguém se esse alguém for o agente ou sofrer alguma ação, e mais específico, analisar como as coisas “podem dar certo na vida” de uma pessoa; em outras palavras, como podemos dividir os acontecimentos na vida pessoal e sob quais circunstâncias eles podem acontecer para tornar a vida de alguém “mais fácil” ou não.

A analogia da vez será a mega-sena (desde que acreditemos que ela é um jogo honesto, vamos fingir que é para dar certo).

Há algumas maneiras em que um apostador pode acabar “ganhando” o prêmio principal: sozinho, com ajuda ou sem querer. Outras tantas também seriam possíveis, mas daí a analise se estenderia em demasiado.

Sozinho é quando o sujeito resolve levantar a bunda da cadeira e ir até uma lotérica, fazer sua aposta e acabar ganhando, independe se ele escolheu os números ou a máquina o fez, é a clara interpretação da pessoa que não fica esperando as coisas acontecerem e toma a iniciativa para mudar a sua vida ou pelo menos tentar.

Com ajuda geralmente acontece se o sujeito participou de um bolão ou ainda pediu para alguém que iria até a lotérica, fazer uma aposta para ele. Assim ele não precisa nem se dar ao esforço de encarar uma fila, mas sabe que pedir ajuda ou favores também é uma forma de conseguir fazer algumas coisas (ainda mais no Brasil). O sujeito não pratica a ação diretamente, porém faz com que ela aconteça em seu favor. É mais ou menos o cara que nãos e mexe muito no serviço, porém sempre alcança os resultados.

Sem querer fica por conta da casualidade total da vida. Vamos dizer que alguém passou numa lotérica, lembrou de um amigo e resolveu levar um bilhete para ele e o cara ganhar. É o clássico “nascer virado pra lua”, mesmo sem almejar alcançar um objetivo por qualquer ação, a coisa acontece com a pessoa de qualquer forma. Claro que a pessoa conta com certo apresso de outro no exemplo, mas poderia ocorrer de ter encontrado um bilhete na rua perdido por outra pessoa e por aí vai. Não adianta, tem gente que vai se dar bem, mesmo que nem tente e é preciso aceitar esse fato.

Obviamente que as chances de ganhar o prêmio são pequenas, mas elas existem e alguém ganha. Mas a forma como se dá esse “ganhar” pode ser diferente para cada um. Dessa forma, se você não acha que é alguém que irá ter tudo caindo do céu, ainda lhe resta as duas primeiras opções: levanta da cadeira ou peça ajuda, ou ainda melhor, faça as duas coisas!

E como contraponto devemos colocar, aqui, que nem sempre conseguiremos ganhar, você pode se mexer e fazer a ação, mas o sorteio não sai para você. E a parte triste é que muitas vezes poderemos não ser o sorteado a vida toda, mas isso não pode ser o motivo antecipado de parar de tentar.





---------------------------PAUSA

Reduzindo a velocidade

Para soluções práticas, ideias práticas que não funcionariam de forma alguma.

Como poderíamos fazer os cidadãos trafegarem pelas ruas com seus veículos sem ultrapassar a velocidade máxima?

Simples. Poderíamos instalar nas ruas, sensores de velocidade que emitiriam um sinal a um equipamento acoplado ao veículo que informaria a velocidade máxima permitida e dessa forma, automaticamente, o veículo não conseguiria naquela via seguir em maior velocidade que a permitida. Por mais que se pisasse no acelerador, ou acelerasse a moto, ou ainda qualquer outro tipo de veículo motor que pudesse ultrapassar a velocidade permitida, de nada adiantaria, o máximo seria sempre constante. Obviamente veículos de emergência como bombeiros e ambulâncias e ainda viaturas oficiais não seriam limitadas.

Problemas? O custo que isso iria gerar, carros que fossem fabricados antes dessa medida teriam que colocar o equipamento e duvido que as pessoas iriam querer fazer isso. Os sensores teriam que ser muitos. Apareceria uma máfia de burlar os sensores tanto dos carros quanto das ruas e por aí vai.

Solução? Talvez fazer isso via satélite e incorporar o sistema ao GPS do carro, porém teriam que ser sistemas GPS já instalados nos veículos.

Daria certo? Daria, mas existem mais desculpas para não se fazer do que motivos para fazer.

É só uma idéia.
                                                 FIM DA PAUSA------------------------------






O REVERSO


A sociedade vive mudando seus conceitos, mas isso não se dá de forma rápida, pelo menos não no nosso tempo de vida. Com o passar de algumas décadas ou mesmo um século, as pessoas na tal “maioria” acabam adotando normas, gostos e linhas de pensamento que no antigamente eram julgados nos quesitos é proibido, é amoral, é feio, e por aí vai. Com a explosão dos vídeos aeróbicos nos anos 80, as academias nos anos 90 e das mulheres tudão nos anos 2000, por muito tempo o foco era ser fitness e não importava se para isso pudéssemos nos arriscar com cirurgias plásticas. Mas o que realmente importa é que tendências passam e novas surgem. E se, de repente, ser fitness e magro não fosse o “aceito” socialmente? E se a moda fosse ser gordinho?

É uma visão diferenciada sobre o que nos dizem ser o modelo de vida, que trato aqui em O REVERSO. Como seria se os objetivos sociais fossem outros? Vamos tentar imaginar...




Quilinhos a mais....


A sociedade cada vez mais acelerada não tinha mais tempo para manter uma forma. Todos aceitaram que não podiam fugir de uma alimentação carregada com óleos e gostosuras, era bom demais para resistir. O açúcar tornou-se a especiaria mais produzida no mundo e ninguém poderia luar contra isso, plantações enormes deram lugar à cana-de-açúcar e batatas. As modelos plus size conquistaram os espaços das grandes celebridades e os homens passaram a desejar as gordinhas enquanto eles mesmos alimentavam suas barriguinhas de cerveja. Academias se transformaram em restaurantes. A ciência aceitou que curar certas doenças não dava em anda, assim era chique ter diabetes tipo II ou algum problema de tireoide, tudo era válido para ficar mais cheinho. O mundo mudou e as conversas com os médicos também mudou. Vejamos o diálogo entre uma paciente desesperadamente magra e seu endocrinologista:

- Doutor, não sei mais o que faço. Já tentei engordar de todas as formas, porém não consigo....

- Fique calma. Já sabemos que seu metabolismo é muito rápido e estamos tentando desacelerar esse processo. Você ainda não está no peso mínimo para a cirurgia de aumento de estômago, por isso não posso te passar um encaminhamento ainda. E se tudo der certo, os estudos para a colocação de estômagos múltiplos deve logo atingir a fase de estudo com humanos. Há esperança.

- Mas doutor, eu não consigo baixar o peso para poder fazer a cirurgia e toda vez que compro passagem de avião tenho eu pagar pelo espaço de assento que deixo de usar. Minhas amigas já estão todas casando e eu nada.

- Não se preocupe, vamos momentaneamente começar a lhe passar uma série de corticoides e também alguns estimuladores de apetite. Não vai engordar, mas deixará você um pouco inchada, assim irão pensar que está ficando gordinha.

- Não acha que devo tentar tomar levotiroxina para induzir um hipotireoidismo?

- É muito arriscado, se errarmos o foco na indução medicamentosa poderemos atingir o efeito contrário e você ficará mais magra ainda. Vamos devagar. Tenho certeza de que atingiremos o objetivo em até três anos.

- Mas aí eu estarei muito velha para arrumar um marido, doutor.

- Que nada. Ficando rechonchuda como eu, irá perceber que as rugas nem aparecem mais. E a média de vida está muito bem, não reduziu tanto da época que as pessoas eram preocupadas com exercícios e condicionamento, passamos de 83 para 75 anos, então ainda há tempo para o seu caso.

- Tudo bem doutor, algo mais para essa semana?

- Pegue aqui, uma receita do nutrólogo para aumentar sua dose de donuts e batata frita e também um endereço e nome de um bom hipnólogo para tirarmos essa sua aversão ao sorvete de madrugada.

- Obrigada doutor, preciso logo chegar ao meu peso ideal, não aguento mais passar vergonha nas lojas comprando roupa P.

- Tenha um bom dia e nos vemos semana que vem. Aceita uma barra de chocolate?

- Vou ficar com apenas meia, se me virem jogando o resto no lixo eu posso ser multada.


E foi assim. Que fique claro que isso não deve ser lido como uma crítica e sim apenas como uma forma diferente do que poderia ser ou de que um dia poderá vir a ser. Eu mesmo sou um que foge do aceito socialmente e seria hipocrisia de minha parte defender todas as formas do aceito socialmente. Veremos qual será o próximo!

FUI-ME!!!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A TEIMOSIA

Olá pessoas!

Ano 2015, resoluções: 1!
Se durante todos os outros anos eu criei expectativas sobre coisas que eu nem cheguei perto de fazer, desta vez decidi me focar numa única regra, mas a regra só eu sei. Posso apenas confirmar que tenho seguido e até o momento tá indo tudo bem.
Na leitura de hoje, um pouco de gente teimosa e consequências, um pouco de provérbios, um pouco de sabedoria e também um pouco de conversa.
Quem ler, aproveite!






A TEIMOSIA

Voltava esses dias do trabalho para casa, um trajeto realmente curto, que não ultrapassa 2km (fato que me motivou a comprar um skate elétrico para ir ao serviço todos os dias, porém ainda não coloquei em prática essa ideia de sustentabilidade); deparei com uma das mais comuns situações, ou melhor, duas das atitudes mais facilmente detectadas de teimosia pura no trânsito.

 A primeira é a já clássica não utilização das ciclo-faixas pelos ciclistas, custo a entender o porquê os cidadãos preferem arriscar a andar com a bicicleta fora da faixa com tráfego mais pesado que ficarem na segurança de seu espaço (claro que me refiro às faixas bem feitas, que é o caso do local onde passo). A segunda é um pouco mais incômoda, motoristas que, apesar de notarem uma PUTA PLACA GIGANTESCA de PROIBIDO CONVERGIR À ESQUERDA na avenida, ainda assim conseguem parar o carro, dar seta e ficar esperando uma brechinha para virar.

Numa boa, eu até deixava passar quando as placas não existiam e a manobra era “permitida”; eu até posso deixar passar quando vejo placas de carro de outras cidades (nem tanto, afinal a sinalização é específica e muito visível), mas o cidadão que mora na cidade e sabe que não deve fazer isso é uma safadagem do caramba. Vão esperar brechinha lá na PQP do caraleo a 4.

Não dá para entender essa teimosia de fazer algo mesmo sabendo que não pode fazer. É questão de respeito, educação, segurança da pessoa e dos próximos, é mostrar-se um sujeito que leva a vida social em consideração. Olhar para o próprio umbigo e fazer só o que quer, por que acha que pode, sempre resulta em merda. Dois exemplos desses tempos: uma mulher andando fora da faixa, de bicicleta e ainda do lado errado da via (animantas de alguns ciclistas, ao invés de andarem do lado direito da mão, vão se enfiar do lado esquerdo), morreu atropelada por um caminhão que obviamente não a viu disputar o espaço na rua; e uma batida tripla entre carros, pois um cidadão umbigal (que só pensa nele mesmo) decidiu dar uma paradinha para fazer uma conversão proibida à esquerda, simplesmente do nada. Aí pergunto, quem se deu mais mal? O corno que parou de repente ou os outros dois que bateram um atrás do outro? Adivinha no que vai dar, afinal o bonitão com certeza vai alegar que quem bate atrás é culpado, etc e tal.

E mesmo com exemplos claros e batidos como esses, ainda impera a teimosia de muitos em continuar a fazer tudo da maneira mais complicada, difícil e perigosa.

Acorda povo, a rua é de todos e para todos, então as regras servem também para todos. O jeitinho brasileiro no trânsito só tem caminhos ruins: discussões, mortes, despesas e claro, atrapalhar a vida alheia. Acreditem, o lugar para onde vocês estão indo não irá se deslocar se tiverem que fazer o contorno em uma quadra ou seguir pela ciclovia por uns metros a mais.


E sim, eu continuo fechando motociclista folgado que tenta me passar pela direita. 

Segurança em primeiro lugar pessoal! Desculpem o palavreado, mas o efeito desejado é esse mesmo.





-------------------------------PAUSA

PROVÉRBIOS

Provérbios são aquelas frases, muitas vezes de efeito, que caem no gosto popular e traduzem algum tipo de sabedoria ou apenas um conselho qualquer, que acaba sendo sábio também.
Não se sabe quem cria tais frases, algumas até se atribuem a grandes pensadores que já viveram ou vivem em nosso mundo, mas o fato é que fica impossível comprovar a origem delas. Se possível fosse eu pegava os direitos autorais e ficava rico. Então se você não costuma ler cartões nas livrarias, mensagens no facebook ou mesmo um bom livro, aqui vão poucos, porém ótimos, exemplos de provérbios:

- O que o homem inferior busca, está nos outros;
  O que o homem superior busca, está em si mesmo!

- Se lançares uma flecha contra teu inimigo, ponderas; também tu estás na mira de seu arco!

- Dinheiro perdido, nada perdido;
  Saúde perdida, muito perdido;
  Caráter perdido, tudo perdido!

- A pessoa verdadeiramente culta não se envergonha de colher informações, mesmo junto aos menos instruídos que ela!

- Os ignorantes que acham que sabem tudo, privam-se de um dos maiores prazeres da vida: aprender!

- Os falsos amigos são como a sombra: só nos acompanham quando o sol brilha! Fonte: Provérbios de Todo o Mundo, Editora Escala.

                                                       FIM DA PAUSA------------------------







  A SABEDORIA DA CORUJA
Severina arrumou um bom emprego na casa de Dona Lúcia. Severina sabe como é difícil para uma mulher como ela, já passada dos cinquenta anos, conseguir um bom emprego, na verdade qualquer emprego.

Severina sempre chegava cedo. Nos primeiros dias era tímida, mas com o tempo foi se tornando amiga de Dona Lucia.

Severina sabia de tudo da vida da patroa e como boa faladeira que é, amava contar tudo o que se passava na vida de Dona Lucia para todos: na padaria, na locadora de vídeo e até no salão de beleza do bairro.

Um dia Dona Lucia perdeu o horário que tinha marcado com a cabeleireira de sempre e achou um outro salão de última hora, pois é, o salão do bairro da Severina.

Severina não trabalha mais com Dona Lucia, não consegue achar outro emprego, mas continua com a língua soltinha.

Sabedoria: Quem precisa, cala a boca!









  CONVERSA DE VAMPIRO
Mil litros onde cabem quinhentos.

- Não entendo essa multidão nas feiras, sempre me parece haver poucas pessoas na cidade, mas quando há alguma festividade enfrento um verdadeiro mar de todo tipo de gente.

- Isso é por que há mais pessoas ocupando todos os espaços possíveis em um terreno delimitado. Feiras tem suas proporções e nem sempre são suficientes para abrigar muitas pessoas ao mesmo tempo. O mesmo acontece com vocês humanos e a Terra, cada vez mais a população aumenta, mas a Terra tem também um certo espaço limitado, e em dado momento ela estará exatamente como uma dessas feiras.

- Sim, concordo. Porém é obvio que nós, homens, conseguiremos pensar em soluções práticas para que sempre possamos abrigar a todos.

- Pensar nelas, as soluções, é algo fácil, mas aplicá-las tornar-se  algo estritamente complexo. Muitas pessoas jamais aceitarão que algum grupo se intrometa na sua maneira de viver, muitos não deixarão que invadam o que julgam ser “seu espaço”. Isso só irá gerar conflitos e protestos de todos os lados até chegarmos ao caos.

- Mas se chegarmos a um ponto sem saída, com muita gente e pouco espaço, que solução haverá além de mudarmos nosso conceito de propriedade?

- Há várias saídas para a humanidade. Poderíamos pensar de forma positiva e aceitar que com a evolução da engenharia logo em breve teríamos cidade verticais gigantescas que tomariam conta do cenário mundial, ou mesmo cidades subterrâneas, quem sabe até submersas. O homem geralmente se supera algumas vezes. Poderiam também, quem sabe, estabelecer colônias na lua ou em marte, nunca se sabe.

- E do lado negativo?

- O lado mais fácil você quer dizer. Seria muito simples acabar com o problema de espaço na Terra, pode ser por guerras calculadas, pode ser por controles de natalidade forçado ou mesmo escondidos e por fim pela limitação da propriedade de forma rigorosa.

- Por que é mais fácil dessas maneiras?

- Por que são maneiras que dispendem menor investimento e tem resultados mais rápidos. Imagine o tempo necessário para se construir uma superestrutura para abrigar 300.000 mil pessoas, ou no tempo para conseguir construir moradias em outros planetas. Com a população de humanos aumentando continuamente em proporções gigantescas, não haveria tempo para estas soluções, porém guerras dissimuladas dariam um resultado satisfatório e em tempo hábil. Além disso, há maneiras de se controlar o crescimento populacional, seja através de leis específicas, seja reduzindo a capacidade de reprodução da população artificialmente.

- Quer dizer, modificar as pessoas sem que elas autorizem isso?

- Exatamente isso. Fosse por “aditivos” não relacionados colocados nos alimentos, fosse através de doses controladas de radiação, existem muitas maneiras de se atingir tal objetivo, esterilizar a população de dado território até se atingir o equilíbrio perfeito.

- Isso parece algo terrível.

- E é. Mas como já disse, interessa aos governantes do mundo aplicar soluções a longo prazo com custos elevados ou eles preferem as ações imediatas e de custo reduzido, e o pior, ações que poderão enriquecê-los ainda mais?

- Acho que a ganância dos homens sempre responde da forma mais bruta.

- Mais bruta, mais rápida, mais valiosa e principalmente na forma de manter quem controla tudo acima dos demais. E esses demais sequer sabem que eles são tão descartáveis quanto importantes nesse jogo de forças que vocês humanos tanto amam praticar.

- Mesmo sabendo da mórbida solução, ainda prefiro imaginar que iremos seguir pelo lado positivo.

- Claro meu caro amigo, o sonho, na maioria das vezes, é sempre mais doce que o despertar.



FUI-ME!!!


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Procurando o Natal

Olá Pessoas!
Mais uma postagem de fim de ano e novamente gosto de deixar alguma reflexão sobre o tema ou sobre alguma coisa que aconteceu. Desta vez foquei mesmo no natal e todo o significado que esta data teve e tem para mim. Para também celebrar o novo ano vindouro, deixei um pequeno conto da atualidade.
Aproveitem aos que lerem e tenham uma excelente semana de celebrações!




 PROCURANDO O NATAL

Talvez nosso país não tenha aquelas tradições natalinas tão incrustadas na cultura como outros tantos países têm.

Talvez sejam os tempos de hoje que não aceitam tanto espaço para uma celebração e feriado, já que tudo o que parece importar é trabalho, trabalho e mais trabalho. E nem preciso falar do tal dinheiro, esse estranho companheiro. E também nem preciso, mas já faço o relato, de que estou escrevendo isso no meu trabalho, e sim, em pleno dia de natal.

Foram meus tempos de criança e aquela agonia para as férias chegarem e o dia de irmos visitar os parentes em cidades distantes. Reunir toda a família no fim de ano, os adultos com suas conversas chatas e brigas estranhas e as crianças correndo o dia todo e sorrindo, rindo e brincando como se houvesse amanhã para começar tudo de novo.

A ansiedade pelos presentes que nem sempre eram os pretendidos, mas também que em dois minutos ninguém mais ligava. O importante era a turma reunida e claro muita, muita comida.

E lá se ia ao menos um mês diferente, com tanta gente que fica longe da gente e só quando está mais perto realmente ganha o significado de parente.
Claro que um dia tudo muda, os pilares das visitas se vão desse mundo e as pessoas deixam a distância imperar por um ano todo, dois, três e assim por diante. Não importa, ainda temos o natal, ainda comemoramos em família, ainda estamos unidos.

Mas quem dera fosse assim com todos. Já não é. A tecnologia agora promove os encontros virtuais, as felicitações geladas e as emoções em posts de twiteres e facebooks. Eu é que não entendo de mais nada. Abraçar está se tornando motivo de união estável nessas eras contemporâneas (nem sei se eras são assim descritas...).

A razão do natal perdeu a razão, perdeu o calor, perdeu o abraço. Virou do presente o laço, a televisão do desamor e a gordura que entope o coração.

Mas quem liga? Eu ainda ligo. E talvez eu também seja um dos únicos a resistir ao novo modelo de civilização, mas sei lá, dá um aperto em saber que um dia, que só me traz boas lembranças não vá trazer essas lembranças para as próximas gerações.

E assim o mundo se despede devagar ou muito rápido, depende do quanto vivemos, de mais uma tradição, que tem que dar espaço ao corrido mundo dos objetivos práticos e lucro certo.

Obrigado a todos que sempre fizeram meus natais inesquecíveis, eles sempre foram muito importantes.

Feliz Natal!



E agora um poeminha despretensioso como a vida deve ser:

Procurando o Natal (Fábio Begi)

Das lembranças do meu tempo de menino,
Ou dos delírios de quando eu era pequenino,
As andanças pelas ruas no natal
Eram puro fascínio; era uma data especial.

As casas se iluminavam,
Todos os postes se enfeitavam,
Era como um paraíso de luzes e esperança,
No olhar inocente de uma criança.

O natal que a história transforma em algo novo,
De uma festa interminável pagã
A uma contínua celebração cristã,
Surgindo então seu significado religioso.

O mesmo natal que o comércio adotou
E com anos seu sentido modificou,
Mostrando que a felicidade é relegada ao nada
Se de um presente não for acompanhada.

Mesmo o bom velhinho que sempre nos faz sorrir,
Que do mesmo comércio passou a existir
Some da mente das crianças cada vez mais cedo,
Fato esse que nas velhas senhoras causaria medo.

Reluto em aceitar que tudo seja passado,
Que certos valores sejam deixados de lado,
Que todo o seu significado seja renegado
E que o natal futuro será sim, chato.

É que hoje, das luzes que enfeitavam a rua
A única que ainda brilha é a da lua,
E apesar de cansado
de ver esse dia mais e mais abandonado,
Ainda; aquele natal; tenho procurado...
















                                                            A RAVE


 Foi a Rave do fim ano, ou talvez do começo do novo ano.

Elinara não perdeu uma das que foram realizadas em sua cidade, cidade grande claro, com muitos locais amplos e afastados, próprios para o pessoal aproveitar tudo o que pode e o que não pode.

Elinara tinha sua ideia particular de diversão, idéia particularmente dividida por muitos jovens dos tais tempos atuais, o que significa chegar cedo e sair o mais tarde (tarde que é cedo já que o sol já apareceu faz tempo). Nesse meio tempo: festa e ferveção.

Elianara nas Raves se transformava apenas em Nara, não para os mais íntimos, para todos mesmo. Ela detonava no campo de dança, era Techno, Psy, Trance, House e se voltasse alguns anos para o passado seria Dance. Também detonava no Álcool, Bala, Doce, Lança e se fossem esses três logo de cara, detonava na água.

Na Rave do fim do começo do ano foram dois dias, mas Nara deve ter pensado ter passado apenas umas doze horas, que é tudo o que ela lembra até o momento de ir para casa. E é o momento de ir para casa que tudo fica muito chato. Ela sabe que vai ter que ouvir um monte de reclamações da mãe sobre seu comportamento, suas roupas, sua aparência e todo aquele papo de estar jogando a vida fora. Bronca que só será esquecida no fim da outra semana com as duas tomando um sorvete no centro e indo ao salão.

Nara saiu da Rave com plano já traçado. Cabelos presos, bermuda alongada e óculos na cara. Ela sabia que não fugiria do descaso semanal, mas poderia evitar o sermão matinal e ir dormir o mais rápido possível para descansar seu corpo já um tanto desprezível.

A tática seria certeira, entrar impactando, falar gritando e não deixar espaço para a mão reclamar tanto.

Nara desce do táxi em frente à casa, passos firmes, pezada na porta. A mulher esperando na sala leva um susto. Nara acha que ela já deveria estar acostumada com seus horários de retorno. Nara segue reto, não quer perder tempo mesmo. Porém acaba sendo barrada bem à sua frente. Percebendo que não teria como ir para o quarto sem a discussão, parte para a tática do grito. Ela espera pela primeira frase para depois atacar:

- Mas o que é isso? – Pergunta a mulher ainda assustada.

- Nem vem com sermão, não estou muito bem agora e se quer conversar é melhor esperar eu acordar, quem sabe daqui um ou dois dias. – Fala Nara bem alto encarando com seus óculos aquela figura que não sai da sua frente.

- Olha mocinha, eu não sei o que você está pensando... – Tenta continuar a mulher.

- Não me venha com mocinha, bebezinho, amorzinho ou o caralho que seja. Estou cansada e quero dormir. – Diz Nara ainda mais nervosa.

- Pois eu se fosse você parava com isso e saia daqui, senão chamo a polícia. – A mulher tenta um tom mais forte.

- Mas mãe, que coisa idiota é essa de querer chamar a polícia. É só me deixar dormir e depois discutimos. – Nara fica levemente confusa.

- Olha menina, eu não sei o que você tomou e de onde você veio, mas aqui não é a sua casa, eu não sou a sua mãe e você está parada gritando com a minha geladeira...

Foi a Rave do fim do começo do ano. Nara sempre vai achar que essa foi a mais louca de todas elas e com uma certeza, pois dessa vez teve que andar meia cidade para chegar em casa e ainda ouvir a sua mãe zangada lhe dar um sermão com muita clareza.

Foi A RAVE...


ANO NOVO DE NOVO!!!!
FUI-ME!!! 

domingo, 7 de dezembro de 2014

Mãos, tempos e deuses!

Olá pessoas!

Fim de ano, bora fazer promessas e metas para o próximos ano que não iremos cumprir de qualquer forma, mas como é bom viajar no pensamento das probabilidades e possibilidades, vai que numa delas a gente acerta...

Hoje, para aqueles que lerem, temos mais uma dessas inspirações do cotidiano, um pouco de comparação da vida entre os tempos e também mais uma conversa de vampiro, dessa vez mostrando que distância pode ser a resposta às questões que não compreendemos direito. Boa leitura e ótimo fim de ano!


A mão estendida.

Uma mão se estende através do vidro aberto de um carro, na mão uma nota de cinco reais. Um pouco distante um senhor corre em direção ao carro, não vejo o complemento da ação, meu veículo já tinha passado a cena, mas seu final é um tanto óbvio.

No pequeno trajeto até minha última parada do dia, ou da noite, fico pensando se a velocidade empreendida até aquela mão exercida pelo velhinho um tanto manco teria sido a mesma se o que estivesse sendo seguro por ela fosse um sanduíche, um copo de café ou quem sabe mesmo, vá lá, um livro.

Claro que cada um sabe do que precisa e geralmente o dinheiro poderá prover qualquer necessidade que vir a aparecer a qualquer hora, mas e se de-repente naquele momento ele não estivesse com fome e o dinheiro acabasse servindo para coisas supérfluas, daí, depois vem a tal fome e o dinheiro que veio, já foi. Se fosse o sanduíche poderia ter sido guardado para esse momento, mas o dinheiro se vai a todo momento.

Não sou eu que irei dizer o que outros precisam e porquê precisam, eu também nunca sei do que irei precisar e considero que muito menos as outras pessoas saberão, só sei que se tentar estabelecer todas as minhas vontades contando com o dinheiro que terei ao longo dos dias para sanar a todas elas, eu certamente ficarei em dívida com essas necessidades.

Há doações que nos parecem inúteis por que não aprecem nos dar algo que queríamos atingir, doar conhecimento, doar alimentos, doar atenção, doar solidariedade, doar medicamentos, doar roupas e camas e tudo o que mais pudermos, nada disso parece atingir mais às pessoas que doar o tal dinheiro, o tal fazedor das vontades instantâneas que sempre teimam em não ser as vontades que os doadores querem que elas sejam. Num contexto explicativo, se você quer doar o malfadado sanduíche o donatário quererá mesmo é uma cervejinha e aí o poder transformador do dinheiro em qualquer coisa que ele possa pagar que resolve no ato o gosto do cliente, ops, do ajudado.

Fica difícil tanto de entender como de explicar que muitas coisas poderão ser mais uteis quando são doadas por serem de uso mais futuro que imediato, mas que esse futuro se tornará imediato em algum tempo e aí, bom aí vão ter que entrar com mais dinheiro. E tanto é o desejo do doador se sentir útil quanto do donatário se sentir agradecido que ambos sabem que o dinheiro é a doação mais “acertada” em qualquer ocasião, é como nunca errar no presente de aniversário a quem se quer agradar, é certo, é na mosca!


É nesse ponto que eu deixo de questionar o motivo de sempre pedirem dinheiro em qualquer doação, seja na rua, seja na televisão, seja na igreja. É como a gente já sabe, cada um sabe do que precisa e só há uma coisa que pode ser todas as coisas que se põe necessárias, mesmo que nós nem saibamos o quanto não precisamos delas e do que iremos precisar apenas ignoramos.






----------------------------------PAUSA

Tempos

1930 – Seu Firmino levantava antes do sol, quatro da manhã, por que as vacas não esperavam para dar leite e também tinha que preparar o café. Lá pelo meio dia vinha o almoço, depois de uma manhã toda servindo e preparando os animais. De tarde vinha um serviço mais braçal, preparava a lavoura e colhia o que já estava pronto. Ainda tinha que levar tudo pra cidade antes do anoitecer para vender nos mercados e voltar pra casa. Seu Firmino tinha 40 anos com cara de 60. Nunca teve sequer um resfriado, apenas alguns problemas de coluna e um ombro maltratado, porém morreu mesmo do coração, naquele tempo nem sabia que comida muito gordurosa poderia matar tão cedo.

1980 – Seu Francisco levantava cedo, seis da manhã, pois ele é quem levava as crianças para a escola. A mulher fazia o café e todos comiam rápido. Depois de deixar os filhos, Francisco ia direto para o escritório, não almoçava em casa, precisava fazer o mundo melhorar, naquela época podíamos tudo. Francisco não descuidava da saúde e todos seus exames médicos eram primorosos, além de sempre sair para correr aos finais de semana. Seu Francisco tinha 40 anos com cara de 40. Mas morreu pelas complicações da aids, afinal ele sempre gostou de uma saída cm os amigos de escritório nos fins de semana em alguma boate qualquer. Infelizmente, naquela época, não existia diagnóstico para esse mal.

2014 – Fabiano acorda quase cedo, a aula é as oito, mas como vai de carro ele chega em poucos minutos. Não toma café por que não dá tempo, mas no intervalo tem muita coisa frita na cantina e o bom refrigerante. Chega em casa na hora do almoço e come qualquer coisa bem rapidamente, vai direto pro computador ou fica olhando o celular a todo o momento. Lá pelas seis da tarde encontra a galera e conversam sobre nada e coisa alguma, todos com celular em punho. Comem um lanche na rua com mais refrigerante e combinam onde irão encher a cara no fim de semana. Fabiano tem 20 anos com cara de 17 e também já tem diabetes, hipertensão, colesterol alto e vive com dores de cabeça. Mas ele não vai morrer aos 40, pois ele já sabe que tem de tomar quatro tipos diferentes de medicamentos todos os dias para continuar a ser exatamente assim.

                                                FIM DA PAUSA------------------------------






Onde estão os deuses?

- Pessoas dizem que vampiros servem ao demônio, isso é verdade?

- Pessoas buscam explicações que são convenientes pela simplicidade e jamais tentam entender a verdade quando ela é muito complexa. Acreditar em servos de um demônio me parece mais atraente e simples do que entender uma evolução de espécie. Aliás como acreditar nos demônios dos humanos quando eles também nem sabem direito que são seus deuses?

- Eu imagino que todos saibam quem são, mesmo que sejam diferentes, todos tem histórias que geram crenças e tantos outros traços fundamentais de uma religião baseada em algum deus.

- E onde estão agora?

- As pessoas que creem?

- Não, os deuses delas?

- Acho que cada um está onde cada religião diz que assim está, eu não sei.

- Nem você sabe e nem mesmo eles sabem. Apenas acreditam no lugar, mas não viram nem o lugar e nem o deus.

- Mas ninguém nunca viu qualquer deus...

- Tem certeza?

- Bom, não há ninguém hoje que possa dizer algo sobre isso.

- Hoje, esse é exatamente o tempo certo para o nunca ter visto um deus, mas no ontem as coisas tendiam para o outro lado.

- As pessoas viam os deuses antes?

- A humanidade tem uma característica incrível de conseguir afastar qualquer coisa que não possa explicar, de fato antigamente os deuses eram vistos e estavam tão presentes quanto um humano do outro. Quando os deuses eram astros, como o sol ou a lua, eles estavam presentes quase todos os dias, para serem observados e adorados. Quando os deuses moravam em uma montanha, mesmo que os homens fossem temerosos para subir ao seu encontro, bastava invocar seus nomes para, se merecedores fossem, ter uma bela conversa com qualquer um deles. Em algumas religiões as pessoas até mesmo sabem que seus deuses se mesclam a animais e por isso reverenciam as criaturas que dão base à crença. Mesmo nas atuais religiões dominantes desse mundo, era habitual deus vir se relacionar com os homens, mesmo que não fosse em outras formas. Muitos profetas tinham contato direto com deus, mas então vem o hoje.

- Mas isso não estaria no fato do homem ter se tornado mais racional e visto que a Terra não seria a morada ideal de um deus?

- Não, nunca foi por isso. A racionalidade humana não elimina a figura de deus, ela apenas se faz entender que há mais mitos que verdades em histórias antigas e para não ter que explicar quais fatos foram realmente reais e talvez por isso não tão magníficos quanto os fatos inventados os homens escolheram afastar seus deuses deles, isolá-los em reinos que não estão na Terra ou em qualquer outro local do universo, quem sabem estejam até mesmo em algum alternativo como especula a ciência, não importe. O que se mostra verdade é que o homem parece ter se envergonhado de ver seus deuses ao lado e acharam uma solução mais engenhosa para contornar episódios que não poderiam descrever como muitos faziam séculos atrás. Os homens não veem deus como um amigo que pode encontrar todos os dias, não o veem como alguém que está logo ali no topo da montanha ou no espaço. Agora deus está exilado no lugar algum da criação esperando que suas criações encontrem o caminho para esse nenhum lugar, mesmo que eles nem sabiam como é esse lugar, como é o seu deus e principalmente qual é o caminho que os farão chegar lá. Montam regras que não seguem como se fossem dadas pelos deuses e se perdem na sua própria futilidade acreditando que será apenas necessário fechar os olhos e mentalizar um afigura idealizada de seu deus para eu uma enorme escada, talvez quem sabe um elevador celestial apareça e as leve até o novo mundo.

- Então estariam os homens inventando deuses e paraísos? Nada disso existe?

- Inventar é algo ligado a humanidade, no seu âmago. Mas o que quero explicar aqui é que você escolheram se afastar de seus deuses, dando status de inatingíveis à eles apenas por que não conseguem vê-los. E por não conseguirem vê-los encontraram a saída de dizer que eles estão num lugar mágico ao invés de dizer que eles habitam o mesmo mundo em que vivemos.

- Então deus ou os deuses....

- Então os homens perderam certamente a capacidade de entenderem os seus deuses e assim perderam a capacidade de estarem em contato com eles e então talvez um dia esses homens entendam que seus deuses estão muito mais próximos deles, tão próximos que a razão de não poder ver ou falar com eles é que eles não estão na sua frente, atrás ou aos lados, eles na verdade fazem parte de todos e de tudo. Mas isso pode ser muito complicado para qualquer humano que apenas se preocupa com sua própria imagem.


FUI-ME!!!