sábado, 15 de novembro de 2014

A PARANORMALIDADE E A MÁQUINA DE SORVETE

Olá Pessoas!

Indo um pouco onde muitos homens já foram antes, tento trazer minha visão sobre temas não tão compreendidos, apesar de muito estudados. A palavra usada hoje é evolução, evolução de pensamento, de escrita, enfim, de tudo. Apenas algumas ideias que um dia possam ser mais compartilhadas. E pra não ficar de todo monótono, temos ainda uma historinha simpática para distrair uma leitura extensa. Obrigado e leiam com calma!




A paranormalidade e a máquina de sorvete

Antes de iniciar eu devo deixar claro que o meu entendimento sobre fenômenos paranormais não é nada extenso, nada fundamentado e principalmente nada muito racionalizado. Meu contato com o tema se deu muita mais por assistir documentários com o Padre Quevedo e leituras de artigos pela internet do que uma longa busca sistematizada, pesquisada e metodologicamente correta. Mas mesmo assim vou tentar expor minhas idéias sem parecer beirar a inverdade.

Fenômenos paranormais me são entendidos como fatos ocorridos que parecem ter uma fonte “sobrenatural”, mas que na verdade nada mais é que uma produção involuntária da própria mente humana. Esses fenômenos estranhos, quando devidamente estudados de forma científica podem ser explicados, replicados ou até mesmo anulados, ou seja, num estudo sério esses fatos quando não devidamente representados geralmente se apresentam como fraudes. Não é à toa que pelo mundo há pessoas que caçam pessoas que se dizem paranormais; inclusive lembrando que o cético James Randi oferece uma boa quantia em dinheiro para a pessoa que conseguir provar que tem tais poderes e ele não puder provar o contrário, até o dia de hoje o dinheiro permanece em seu bolso.

Mas e as casas mal assombradas? As portas que se abrem e fecham sozinhas? As mesas que se movem em brincadeiras com espíritos? Os barulhos que surgem de lugar algum? Os objetos que flutuam? Os programas de televisão onde grupos reúnem dados e gravações do que parecem ser vozes, entre outras coisas? Como explicar isso? É nesse ponto que entre o malfadado exemplo de não sabermos como usar toda a capacidade do nosso cérebro, logicamente não é bem isso, mas gostamos de pensar que é. Numa rápida exposição de funcionamento cerebral é preciso deixar registrado duas maneiras básicas de ação: a consciente e a subconsciente, de forma bem rala a primeira se refere a tudo o que fazemos em estado de alerta (acordados na maioria das vezes) e a segunda tudo aquilo que fazemos sem saber que fazemos, como registrar uma música na nossa cabeça e lembrar dela ocasionalmente ou mesmo quando sonhamos. O importante a entender aqui é que essa relação dos dois pode se dar tanto de maneira dependente como independente e eu explico da seguinte forma:

Imaginem uma máquina de sorvete. Ela tem dois compartimentos, o primeiro é de onde sai o sorvete que você vai escolher conscientemente, ou seja, você chega na máquina, olha para a máquina, lê numa placa os sabores disponíveis e então decide qual você irá querer. Os segundo compartimento é o da cobertura que você escolhe inconscientemente, ou seja, no momento em que você escolhe o sabor do sorvete a máquina automaticamente consegue saber o sabor da cobertura que você quer sem que você precise escolher a calda, nesse caso você tem total domínio sobre o sabor do sorvete que quer e pode pensar que não terá domínio sobre a calda da cobertura porque não a  escolheu, mas a verdade é que você escolheu sim a cobertura já no momento em que escolhe o sabor do sorvete, só que você não compreende isso. A máquina apenas entende o que você quer por que você já disse para ela o que queria, pois na hora que o seu consciente escolhe o sabor o inconsciente já está enviando qual será a cobertura que você quer com aquele sabor. É uma prática bem simples, na parte consciente da máquina você aperta o botão do sabor desejado - é onde você tem o total controle da ação, e logo depois a cobertura é colocada sem que você possa ter controle da ação efetuada, você escolheu sem saber, mas a ação ocorre de forma basicamente autônoma. Parece mágica, mas quem gerou tudo isso foi você. E a máquina é tão boa que ela até mesmo sabe quem não gosta de cobertura alguma junto com o sorvete.

E o que isso tem a ver com aquilo? Como a máquina consciente/inconsciente, nosso cérebro também trabalha da mesma forma, e tudo o que precisamos fazer para que escolhamos uma cobertura é dar um sabor determinado. Todas as coisas sobrenaturais que ocorrem em algum local, geralmente tem uma história e essa história se torna conhecida, inclusive nos menores detalhes possíveis, desde tudo o que aconteceu ali para que supostamente tornasse o lugar assombrado até todas as coisas “sobrenaturais” que ocorrem quando tem alguém por perto e essa parte é muito importante, ter alguém por perto.

Nenhum fenômeno paranormal será registrado sem a presença de uma pessoa no local, até por que como teríamos as testemunhas dos fatos se elas ali não estivessem? E é exatamente aqui que entra o jogo consciente/inconsciente dependente/independente. Como na máquina o tipo de calda estará dependente do sabor escolhido e é aplicada independente de você agir, as assombrações vão quase pelo mesmo caminho. Sabendo de tudo o que acontece num local que tem fantasmas, você já processou na mente os fatos que podem ocorrer e ainda mais, se você diz realmente acreditar em todas essas coisas, adivinha o que acontece quando você fica num lugar desses? Tudo aquilo que disseram para você que acontece ou pelo menos uma parte.

Como muitos padres que também estudam os casos em que serão feitos exorcismos, muitas das vezes os fenômenos produzidos em um local são fatos mentais e não sobrenaturais, tomam esse aspecto pelo crédito no inexplicável e nas forças invisíveis que as pessoas passam a acreditar dependendo de sua fé e de sua cultura.

Se podemos ou não, inconscientemente produzir ações sobrenaturais, ainda não está totalmente confirmado, mas o que podemos saber é que ainda estamos muito longe de compreendermos todas as coisas incríveis que podemos fazer com a nossa máquina de sorvete mental e não se assustem se algum dia pudermos simplesmente trocar o canal da televisão usando apenas o pensamento, sejam com adventos científicos ou apenas com a nossa evolução natural.


Então lembre-se: Se alguma experiência pela qual você passar ocorrer conforme coisas que você já ouviu falar, viu em muitos filmes, leu em muitas revistas ou mesmo ficou imaginando constantemente, talvez essas ações sobrenaturais sejam muito mais naturais do que você pensa.



----------------------------------PAUSA

Você será Vc?
Evolução, palavra que define muito bem os caminhos tomados pela humanidade desde sempre. Saímos de “homens” que moravam em cavernas e chegamos atualmente em homens que viajam pelo espaço. Cada pequena transformação ajudou a chegarmos até esse momento, desde mesmo um pouco de fogo em um graveto para isqueiros ou mesmo os granidos estranhos às mais variadas línguas. E é na nossa língua que quero me concentrar no momento. Ela também evolui, ela se transforma, se modifica, fica mais simples sem deixar de ser complexa ao passar das gerações. Bem, talvez isso não aconteça com termos médicos ou o “juridiquês” predominantes em ambientes bastante específicos, mas de forma geral as palavras também seguem um rumo ao futuro. Esse caminho é bastante observável na etmologia de palavras como o VOCÊ. Imaginem que um pronome de tratamento criado na era do império para se referir aos nobres (na forma de Vossa Mercê), na boca de um povo sempre criativo e crítico foi sendo abusado e alterado para tratar os mais simples mortais como se fossem iguais aos mais altos postos do Brasil, assim o Vossa Mercê ganha variações para servir à burguesia e também ao povoado, virou sossemecê, vosmecê e, por fim, você (com variações como: vosmecê, vossuncê, vassuncê, mecê, vancê e ocê). Abusado ou não o povo brasileiro sempre foi modificando a língua mão de Portugal até atingirmos um aportuguesado muito peculiar. Não pensem que naqulas épocas as pessoas cultas também não torciam os narizes com algumas dessas modificações populares, tenho certeza que primeiro a nobreza ficava muito contrariada ao ouvir “pobres mortais” se tratando com nomes de respeito antes apenas designados para a corte e mais tarde os mais velhos ranzinzas deviam ficar estarrecidos com uma juventude falando você, pra lá e pra cá. Lembrado isso, espero que não seja estarrecedor percebermos que talvez, e apenas talvez, a nossa língua continue a evoluir e certas palavras utilizadas hoje pela nossa juventude de forma diferenciada, possa a vis se tornar a forma gráfica futura de alguns termos, ou seja, se a evolução do nosso você de hoje seja se transformar no VC logo amanhã, então que venha, torça nossos narizes novamente e acabe se ajeitando nesse universo gigantesco da amada Língua Portuguesa.
                                                            FIM DA PAUSA--------------------------------




Seu Antenor


Seu Antenor saía para passear todas as manhãs.

Perto de seus 90 anos, uma longa caminhada, aquela de dez quarteirões, era algo muito produtivo e às vezes até mesmo divertido.

Produtivo pelas pessoas as quais cumprimentava pelo caminho, pelas conversas que se iniciavam e logo terminavam, pelo simples fato de sentir-se vivo e é claro, pela moça que fazia cooper, passando perto dos carros. Divertido em momentos raros.

Seu Antenor, um bom senhor que gostava de maças
.
Senhor tão senhor que sabia que a única coisa que poderia fazer em relação à bela dama seria conversar com ela e isto já lhe bastava, ele tinha vergonha na cara.

Mas como chamar atenção de alguém que passava rápido e com fones nos ouvidos? Um plano era necessário, então era tempo de adiantar o horário.

Seu Antenor, que também gostava de romãs.

Levantou mais cedo, algo de meia hora, e se pôs a caminho para finalmente colocar um oi para fora, porém repentinamente, a moça do cooper passa por ele muito velozmente. O oi fica guardado para o dia seguinte, agora tão esperado.

Seu Antenor, às vezes comia poncãs.

Sabia que não conseguiria ser ouvido e andava muito devagar para alcançar a sua musa. Mas teve uma ideia para conseguir a atenção a seu respeito em plena rua.

Acordaria mais cedo e olharia sempre por cima dos ombros, quando então ela se aproximasse o bastante, um infarto fingiria Seu Antenor, agora um farsante.

Com tudo seguindo seu roteiro, Seu Antenor foi para rua e esperou o momento mais exato. Ela então veio se aproximando e Seu Antenor, caindo ao chão, com a mão no coração, tremeu-se todo, quase desmaiando.

Seu Antenor, que saía para passear todas as manhãs.

Agora não saía mais. Seu plano fora tão bem executado que a moça o pegou em seus braços. Mas a emoção tinha sido tanta que fora o inventado infarto, outro ocorreu de fato. Muitos da rua sentiram sua falta nos dias que se seguiram, mas o comentário é que ele tinha ido feliz, já que com um sorriso no caixão muitos o viram.





CONVERSA DE VAMPIRO

Evolução

- Nós, seres humanos, achamos que somos o animal mais evoluído do planeta.

- Todos os seres, não importando quão pequenos ou mesmo monstruosos que sejam podem pensar a mesma coisa.

- Sim, mas só nós raciocinamos da forma como fazemos e aprendemos cada vez mais e evoluímos cada vez mais.

- Fato incontestável é a evolução humana. Mas não poderia dizer o mesmo sobre seu racionalismo.

- Mas só o fato de modificarmos tudo à nossa vontade e necessidade provam isso.

- Provam que evoluem seu sistema cerebral ou o trabalham mais que outros seres, mas não prova que são mais racionais que todos os outros seres. Aliás nem são os tais mais inteligentes, se comparar a utilização do cérebro, perdem para seres marinhos, como os golfinhos, por exemplo, mas não acredito que eles construiriam coisas se tivessem mãos ao invés de nadadeiras.

- Eu sei, mas veja o quanto avançamos, o quanto aprendemos.

- Exatamente, e vão continuar a avançar e quem sabe virão ao mundo cada vez mais inteligentes até o ponto em que um certo humano seja totalmente irrelevante para outro humano mais avançado.

- Humanos tratando-se como irrelevantes?

- Não pense no aspecto irrelevante como alguns já se tratam na Terra nos dias de hoje, irrelevante por não seguirem as mesmas crenças, irrelevante por não concordarem com as mesmas ideias, e por ai vai. Pense como você hoje olharia para uma formiga.

- Uma comparação?

- Sem comparações. Humanos apenas se comparam entre si, pois acreditam que são maiores que qualquer outro ser vivo. No caso da formiga, se ela estivesse em seu caminho e você notasse sua presença, lhe convindo você apenas a esmagaria sem nenhum remorso, correto?

- Penso que sim.

- Pois se pensasse na complexidade que forma uma sociedade de formigas ou abelhas ou até mesmo células e ainda lembrando que por mais iguais que fossem, todas são de certa forma também únicas, talvez você não esmagasse a formiga. Mas sabe por que o faz? Por que ela é tão pequena e insignificante perto de um humano que perde seu papel de destaque no mundo frente a algo maior, algo que ela jamais poderá entender, pois nem mesmo teria como formar uma ideia do que é um ser humano. Coisas que tornam-se insignificantes para os homens por que são menores ou menos inteligentes ou pior, não tão perigosas. Mata-se uma formiga por que é apenas um insto, mata-se um leão ou um elefante, muito mais que o intuito comercial, simplesmente pelo fato de poder mostrar que mesmo sendo mais frágeis sabem como se tornarem mais fortes. Mesmo que as células pudessem sobreviver pelo ar fora de um corpo e ficassem flutuando, os humanos as dizimariam pelo simples fato de tocarem nela enquanto andam e nem mesmo saberiam disso, mas o fato aterrorizante nisso é que muito provavelmente, mesmo que pudessem ver as células, eles fariam isso de qualquer forma.

- Seres menores são classificados como menos importantes, é isso?

- Não apenas os menores como também os que não compartilham da tal racionalização que o homem atingiu. Imagine se existisse um ser que tivesse uns 300 metros de altura, os homens poderiam vê-lo inteiramente há uma certa distância, porém quando chegassem próximos demais ficariam tão diminutos quanto uma formiga. Para esse ser gigantesco o homem seria algo tão insignificante quanto imaginam esses homens serem tantos e tantos outros seres. Pior, se o homem gritasse ao gigante, provavelmente ele nem ouviria e mesmo se o gigante falasse algo, o homem não conseguiria entender, como talvez quando um inseto vai ser esmagado não pode ser ouvido por um humano. Os homens seriam esmagados da mesma forma e para isso nem seria necessário que o gigante fosse mais racional que o homem, mas claro que, com a adaptação sempre evolutiva, se o gigante não tivesse tanta inteligência quanto sua vítima, logo dariam um jeito de acabarem com ele. Mas aqui entraremos em um outro ponto, que seria exterminar o que não se compreende e se toma como ameaça.

- No caso de tamanhos é possível, mas se todos tivessem uma mesma inteligência...

- Seria interessante saber o que os seres humanos fariam uns aos outros se tivessem uma capacidade cerebral cada vez maior. Seguindo um roteiro fantasioso poderia entender que primeiro todos passariam a se respeitar cada vez mais, tanto uns aos outros quanto as coisas da Terra. Depois entenderiam que não necessitam exatamente uns dos outros para terem uma vida plena e passariam a ignorar todos os humanos que ainda não tivessem atingido o mesmo grau de pensamento. Com mais algum tempo os seres entenderiam que a Terra é algo comum e chato demais e abandonariam o que um dia foi tão importante para todos eles, deixando para trás apenas o que considerariam formas de vidas atrasadas e sem importância, os novos insetos, ainda que também seres humanos que não teriam a mesma grandiosidade.

- Acha que isso poderia acontecer?

- E quem disse que já não aconteceu? E quem disse que os homens que hoje vivem na Terra não são apenas aqueles que não conseguem deixar as coisas mais instintivas de lado para conseguir evoluir ainda mais? Talvez tudo o que tenhamos aqui seja nada menos que um monte de renegados atrasados que se mostram ignorantes ao seu verdadeiro destino pelo simples fato de ainda poderem se sentir superiores uns aos outros e à todas as outras coisas, pois teme na realidade poderem se tornar geniais, porém iguais a todos os outros.

- É algo que me dá medo em pensar.

- Pois acho que deveria ter mais medo ainda de criaturas como eu, que posso rapidamente acabar com humanos como você, mas prefiro muito mais usá-los como eu bem quiser e isso é um vício da suposta superioridade que dificilmente perdemos, nós e também os homens. 


FUI-ME!!!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A SALA VAZIA

Olá pessoas!

Deixando a política apenas para um bom humor, já que de resto ela só nos causa stress e revolta, irei hoje mais profundamente no meu próprio ser e também tentar fazer entender que se fossemos unidos de verdade, talvez não fosse necessário esperar nada de governo algum. Espero que quem ler aproveite ara refletir bem o que está nesta postagem, eu digo, vale muito a pena!


A SALA VAZIA
Acredito que na maior parte da minha pouca vida consciente ou racional eu tenha vivido de uma forma um tanto isolada. Isolada no sentido de estar na maior parte do tempo sozinho, daquelas sensações de que mesmo estando cercado de muitas pessoas de alguma forma nos sentimos sós. Muita gente se identifica com isso, eu sempre tentei fugir disso, do sentimento.

Já são incontáveis os dias em que me encontro deslocado desse mundo, como se ele não tivesse sido planejado para que eu vivesse nele ou simplesmente eu não encontrei de nenhuma maneira o caminho para entende-lo. Isso pode soar triste, mas na realidade é apenas desanimador.

Não encaro a procura de felicidade como algo obrigatório e nem mesmo entendo que se fazer dar certo na tal vida é tornar-se rico e famoso, meu único e total desapontamento é o não entender o todo como eu gostaria de compreendê-lo.

Nessas fases solitárias, que deveriam ser expostas como revoltas ou indignações do grande plano da existência no qual acho e não acho que me encaixo, me faltam as palavras certas para poder transparecer tudo o que eu gostaria de demonstrar ao mundo, ao nosso mundo.

Por vezes eu entendo todo esse espetáculo cósmico de maneira única e também compartilhada. Única por que todos estamos fazendo parte de forma individual de um mesmo plano e compartilhada por que estamos todos ligados de alguma maneira, é aquele pensamento de que você conhece alguém que conhece alguém e que no final todo o mundo se conhece sem ao menos todos se conhecerem diretamente.

É então que as coisas se tornam tão boas quanto ruins. Estar cercado das pessoas que amo e de outras que admiro e de outras que nem sei o que sinto pode ser muito revigorante e muito mais importante. É o imaginário de que cada pessoa que você conhece tem uma sala, uma sala só sua e você também tem uma que é a sua. Parado ali na qual lhe pertence você pode vislumbrar todas as outras salas que a sua vista pode alcançar, geralmente essas são as salas das pessoas mais próximas, algumas vezes as mídias trazem as salas daqueles que estão mais distantes e quando olhamos para essas salas, cada qual, de sua maneira particular está dando uma festa, pode ser uma festa a dois, pode ser um baile bossa-nova ou mesmo uma rave, não importa, as salas estão cheias, movimentadas, fervilhando.

Aí você olha para a sua sala e, incrível, a sala está parada, não há nada além de você, nada além de um bom espaço vago; a sala está vazia. Mas onde está o erro? Teria você esquecido de mandar os convites? Teria você esquecido de encomendar a comida e a bebida? Teria você esquecido de contratar a banda? Você corre verificar, ponto a ponto tudo parece estar certo. Os convites foram enviados, os comes e bebes estão pagos e a banda contratada com antecedência. Você foi atrás, você sempre vai atrás de tudo o que é necessário para a sua sala estar movimentada, mas seja lá por qual motivo a banda cancelou, a comida não veio e ninguém compareceu.  Você não entende, eu não entendo.

O que resta é a terrível certeza de que o motivo pelo qual a nossa vida permanece animada é pelo que a gente vê nas salas dos outros e se pararmos para ficar olhando o nada, o não movimento dentro da nossa própria sala, de repente parece que perdemos o sentido da tal existência, por algum motivo, por algum destino. Sabemos que o motivo das salas dos outros estarem cheias é por que eles merecem e se esforçam para que isso aconteça, sabemos inclusive que alguns nem se esforçam tanto, só não conseguimos entender o porquê a nossa sala permanece vazia apesar de também merecermos e fazermos por onde enchê-la. É muito claro que aqui quando digo nós, quero dizer eu, mas não me sinto o único dono de uma sala vazia dentro de todas as possibilidades humanas pelo Planeta.

O ponto em que me encontro é exatamente esse. Eu sinto a boa energia das outras salas, eu tento fazer com que a minha se encha de tudo o que ela pode ter, mas em alguma triste sina todas as iniciativas que foram tomadas não resultaram em movimento. Mas eu me encho de razão pelo que vejo acontecer aos que muito me são caros e não desisto de tentar agitar as coisas na minha sala, afinal, em algum tempo eu irei acertar o tom da música e dançarei como todos. No momento é hora de concentrar, meditar e aproveitar o silêncio...



                                                           PAUSA-------------------------------------
CONTOS POLÍTICOS

1 - Repórter consegue abordar o candidato que está sendo investigado pela polícia federal durante as votações:
- Candidato, alguma declaração sobre as investigações?
- Nada a declarar, são apenas boatos da concorrência.
- Mas há vídeos e testemunhas.
-Montagens e mentirosos, agora com licença que tenho que cumprir meu dever de cidadão e votar.
- E vai votar em quem?
- Minha filha, irei votar nos melhores. Nunca voto em corruptos e ladrões.
- Mas nem no senhor mesmo?

2 -  
Pilantra de boca de urna aproxima-se do eleitor incauto no dia da votação:
- Tudo bem? Afim aí de contribuir com nosso candidato e também levar uma recompensa?
- Como assim?
- Ah, você ajuda nosso candidato a se eleger e a gente te dá um trocado para ajudar nas contas de casa e tudo mais.
- Tá comprando voto? Por que não falou logo?
- Então a gente se acerta? 100 conto ta beleza?
- Ixi, acontece que eu já vendi o meu na semana passada, tava precisado de umas telhas para trocar a lona que tampava o forro. Sabe como é; compromisso tem que ser honrado.
- Verdade, temos que ser honestos e comprometidos hoje em dia. Mas assim, não tem ninguém na família disponível pra fazer acerto?
- Deixa eu ver, minha mulher já vendeu. O fio mais velho gastou no puteiro, meu sogro não vai votar por que ta com diarreia, meus pais moram em outra cidade. Sobrou minha sogra.
- Ela serve.
- Mas também não vai dar, ela tem uns problemas.
- Que problema?
- Ela é cega.
- Mas isso não é problema, chama ela aqui pra gente acertar.
- Mas tem ouro problema.
- Qual?
- Ela é cega e analfabeta.
- Cega e analfabeta?
- É, ela não sabe ler em braile....

3 - 
Candidato é pego comprando votos no dia anterior à eleição, junto com o santinho, entregava uma nota de 50 reais para os eleitores:
- Teje preso candidato, compra de voto é crime eleitoral.
- Mas seu policial, eu não estou comprando votos, estou apenas distribuindo meus santinhos.
- Distribuindo santinhos junto com nota de 50 reais candidato?
- Seu policial, muito obrigado. Que mancada a minha. Acontece que eu guardei os santinhos no mesmo bolso que eu ponho o dinheiro. Acho que toda vez que vou pegar um santinho, acabo pegando uma nota junto. Olha, se você não me avisasse eu acabaria ficando sem dinheiro. Muito obrigado!
------------------------FIM DA PAUSA


CONVERSA DE VAMPIRO

Quem importa

- Não entendo como um povo pode ser tão destruído por seu próprio governo...

- Isso é por que talvez você não entenda os próprios sistemas que os humanos criam para governarem. Porém, há excelentes governos neste mundo em face aos que podemos chamar de terríveis.

- Mas o bom modelo não é acompanhado por todos, então....

- Realmente não é e nem sempre haverá esperança de ser seguido um bom modelo em todos os lugares, lembre-se que a formação das pessoas varia conforme a região que se originam e benevolências ou mesmos os males incrustrados em cada sociedade acabam por definir a linha comportamental do indivíduo que unidos a outros formarão uma sociedade. Porém o fato que precisa ser mais focalizado é que os homens que são pessimamente governados poderiam dar uma lição, ao menos moral, em seu próprio governo desviado do bem comum.

- E as pessoas não tentam? Eu vejo revoltas e....

- Revoltas pequenas para alguma transformação real e isso se deve em grande parte ao entendimento contemporâneo de que tudo pode ser resolvido com greves, paralizações, e acordos, sejam eles políticos ou mesmos judiciais. A massa prejudicada se sente vingada com pequenas ações cotidianas que em grande parte reparam muito pouco o rombo sofrido por todos, mas convenhamos, numa sociedade onde sempre tem de haver seguidores de alguém, quando esse alguém é recompensado para se calar, a maioria que o seguia se cala também, vivendo na ilusão de que conseguiram modificar alguma coisa, quando na verdade apenas se venderam por valor algum.

- Sempre será assim, não é?

- Poderá seguir dessa forma por tempos indetermináveis, mas há como realmente mudar.

- Não consigo entender como fazer essa mudança.

- Mesmo que conseguisse, outros a quem você compartilhasse sua solução inovadora, que nada tem de novo, achariam algo muito difícil de fazer.

- Poderia me explicar?

- Sem qualquer incomodo. Tire apenas o que o governo faz às pessoas, e ele já faz o mínimo do mínimo apenas para justificar a sua existência e “tamanha” importância. Imagine agora que a forma capitalista que se alastra cada vez mais pelo Planeta tenha em suas mãos o poder para ajustar a sociedade por si mesma e pronto, tudo pode ser resolvido acima dos poderes de qualquer governo.

- Ficar sem governo seria a resposta?

- Não. Me refiro aos detentores do capitalismo ajustarem as necessidades de seus semelhantes quando seus governos são incapazes ou possivelmente não querem se tornar capazes de resolverem os problemas. Ora, quem para o comerciante é o ser mais importante, economicamente falando?

- Eu diria que é o seu cliente.

- E eu concordaria. Se vermos o cliente além do fator econômico e inserirmos o seu real valor social que é constituir a sociedade, é mérito do comerciante entender que tão importante quando o poder monetário de cada pessoa é em si a própria pessoa, pois de nada adianta ao comerciante um cliente que morre. Com essa compreensão seria de extrema importância os grandes sustentadores do sistema capitalista entenderem que o sujeito que mantém o tal sistema é de fato esse cliente e não apenas as grandes ideias de comerciantes e inovações tecnológicas. Tendo aceito esse conceito, os que estão acima da estrutura de pirâmides das sociedades, unidos pelo bem comum e sem vínculos políticos poderiam com parte dos lucros que obtem reinvestir diretamente nas áreas deficientes de seu âmbito social e dessa forma serem mais apreciados que seus próprios governos. Gerar uma concorrência de predileção do ente social poderia gerar competição com o próprio governo que para não ser no futuro possivelmente extinto, teria que prover reais melhorias em todas as suas ações administrativas.

- Utópico?

- Com certeza. Mas imagine uma cidade em que os grandes comerciantes se unissem e resolvessem construir um hospital. Eles inicialmente teriam o terreno e logo após ergueriam a estrutura, comprariam os equipamentos e finalmente contratariam os profissionais. Imaginemos que esse hospital começasse a atender a população de forma gratuita e fizesse um trabalho muito satisfatório. Logo a demanda pelo hospital superaria em muito as dos hospitais estatais e claramente seria necessário explicar à população que para o novo hospital poder atender a todos, doações seriam necessárias. Como a população passa a aceitar em sua realidade os novos serviços prestados que os antigos, muitos irão se esforçar por ajudar a manter o novo sistema. Digamos que os idealizadores do hospital sejam realmente preocupados em melhorar as condições sociais de seus clientes e ajam de forma sempre transparente quanto à arrecadação de dinheiro doado e a aplicação em recursos necessários sem nunca arrecadar mais que o necessário para o funcionamento do hospital. Pronto, aí estaria o modelo de auto-organização social independente dos serviços de um governo deficitário.

- E isso iria gerar o que afinal?

- Provavelmente, com o passar do tempo, haveria mais interesse da população a doar seu dinheiro para as coisas que funcionam e não tentam comandá-las a fazer esta ou aquela ação e muito iriam preferir deixar de pagar impostos que não dão retorno às assistências necessárias para a vida em sociedade e colocarão esses valores apenas nas estruturas de sua nova sociedade, uma sociedade consciente e interessada em manter sempre em “boa saúde” o tão almejado bem comum.

- Mas esperar de empresários uma ação dessas e entender que os clientes irão abraçar essa causa é um tanto complicado.

- Se fosse apenas complicado. Será até mesmo impossível de acontecer, pois enquanto a mentalidade estiver no vencer na vida, ninguém irá se importar em viver numa justiça igualitária. Se, e quando o homem entender que a tal felicidade alcançada em conjunto é muito mais satisfatória e plena que a felicidade impossível que se tenta alcançar sozinho pelos moldes de seus sistemas destruídos, nesse tempo então se alcançará o verdadeiro ideal de sociedade perfeita, a que não depende do governo para repartir os bens como entende necessário e sim a que sabe partilhar suas soluções uns com os outros.

FUI-ME!!!

domingo, 21 de setembro de 2014

Asas!

Olá pessoas!

Dessa vez viajei muito na subjeção da realidade. O que você faria (escreveria sobre) se um cupim pousasse em seu ombro durante a aula, ou então o que falar quando o assunto é filosofia? Pois é, eu também não saberia ao certo, mas foi assim que os assuntos da vez surgiram.
Então, antes de ler, tente imaginar como desenvolveria cada assunto e, logo após, tenha uma boa leitura.


Cupins e Asas

Qual seria o máximo sacrifício que uma pessoa faria para poder seguir a sua vida em sociedade? De que liberdades ela poderia se desprender, abdicar, para participar do ente social, seja ele um grupo de sua comunidade ou as repartições específicas que adoramos adotar para classificar as pessoas de uma mesma cidade, estado e país?

O que, a contraponto, poderia tornar o homem tão livre a ponto de se desprender de todas as amarras que essa mesma sociedade vem criando a infindáveis milênios, obrigando a todos a seguirem um preceito pré-estabelecido do que é o normal social?

Se perguntamos à natureza quem é mais livre, verdadeiramente no mundo, talvez sua resposta fossem os animais, mesmo quem sabe alguns insetos, porém como argumentos negativos tentaríamos explicar a ela que mesmo os animais parecem seguir uma ordem social própria com hierarquias muito parecidas com as nossas em algumas ocasiões e os insetos, estes então nem teriam como escapar da prisão social e em termos estaríamos corretos.

Parece-me que por mais esperançoso que eu fique em encontrar um caminho onde o ser como indivíduo consiga realmente sair do torpor dessa amarra social e se apresentar ao mundo como verdadeiramente é e quer ser, infelizmente não encontro os exemplos mais ricos em detalhes para poder acolher como os verdadeiros modelos de liberdade.

Quem sabe se tivéssemos asas e assim pudéssemos voar, poderíamos nos livrar de toda a pressão e escolher viver onde quisermos sem que ninguém nos condicionasse a essas escolhas. Não à toa asas sempre são ligadas a ideais de liberdade e aventura, marcas as utilizam para passar essa ideia, porém só querem, como todo o mundo dito real, nos enganar e também nos prender à elas.

Asas, asas. Pensar em asas seria o elo mais significativo para subir além da humanidade. Anjos e demônios as tem, segundo o imaginário popular, mas mesmos eles não são livres de julgarem e fazer o que querem, há sempre alguém acima de todos os seres, alguém maior, alguém que manda.

E mesmo nos exemplos das asas eu me decepciono, não pelo que poderia ser se as possuíssemos de verdade, mas por ver que também alguns seres que as possuem podem chegar ao ponto de abdicar desse direito de tê-las simplesmente para sobreviver em sociedade.

Poderia você imaginar algo tão imbecil? Desistir do “poder” de voar para andar entre tantos outros. Deixar de continuar a ser diferente por que todos os outros querem ser iguais? Pois bem, os cupins assim o fazem. Eles saem de suas casas alados, infestam outros locais e assim que chegam em algum lugar novo para morar eles dizem adeus às suas asas e então preferem engatinhar para construir uma nova colônia. Claro, eles tem que fazer isso para sobreviver, talvez nem mesmo percebam a dádiva que é poder voar pelos poucos momentos que a possuem.

Mas me reservo no direito totalmente imaterial da minha imaginação que tenta também por vezes não repetir a imaginação do coletivo, que tenta escapar do óbvio e do que outros já imaginaram não ser o óbvio, puramente para não repetir o que outros já criaram em suas mentes; sim, me reservo nesse meu direito inventado em imaginar que por algumas vezes um único cupim enquanto vê seus alados iguais tornarem-se desiguais ao perderem as asas para formarem uma nova forma de igualdade, negar-se então a ser mais um a perder a sua liberdade momentânea e mesmo que isso lhe custe a vida e assim ele o sabe, prefere continuar a voar e ser o diferente num mundo que todos tentam transformar em padrão. E assim, mesmo em curta vida ele poderá ter apreciado a melhor experiência de liberdade e jamais a servidão prolongada de uma vida normatizada pelos que se esquecerem de como era incrível ter asas.




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O homem domina a tudo, inclusive seus próprios semelhantes, logo é de se pensar que somos a máquina mais perfeita da natureza, mas será mesmo que a natureza selecionou todas as melhorias máximas apenas para os seres humanos?

Vejamos rapidamente um amontoado de curiosidades sobre quem é melhor em que no reino animal. Entre parênteses estão os sites de onde a informação fora retirada.

No quesito visão quem sai na frente é a águia de asa redonda que pode ver um rato a apenas 5000 metros de distância durante seu voo, também perdemos em seleções de cores possíveis para as aves e até mesmo um camarão, que é o rei da cor (mundoestranho). Mas somos os únicos a conseguir corrigir problemas de visão através de lentes e óculos, além de diversas cirurgias. Se falarmos em olfato, o elefante tem 1948 OR – gene olfativo – contra 396OR dos humanos (megacurioso). Os morcegos podem ouvir frequências de som em torno de 120000 Hz, assim como os golfinhos, enquanto não passamos de 20000 Hz (geralforum). Se pensarmos em sentir gosto das coisas o campeão é o bagre, isso mesmo, esse peixe tem espalhado pelo seu corpo milhares de células gustativas, ou seja, ele pode sentir na água o gosto das coisas pela pele (hyperscience). E entre os mais mais, teremos: mais rápido, o Falcão Peregrino que atinge 320 Km/h em voo ou em terra o Guepardo com 115 Km/h; em inteligência temos os Golfinhos com alguns bilhões de neurônios a mais que nós e se for ver quem vive mais, algumas ostras das profundezas podem viver 500 anos e um tipo de medusa, a Turritropis, é basicamente imortal, uma vez que, ao invés de envelhecer, suas células rejuvenescem (Megacurioso).

Dessa forma podemos perceber que o homem não é o mais avançado naturalmente em qualquer aspecto comparado a outros animais do Planeta, mas com certeza a sua forma de raciocinar faz toda a diferença. Afinal, com já dito, corrigimos nossa visão com óculos, atingimos velocidades incríveis com carros e aviões, ouvimos sons impossíveis com gravadores sensíveis, passamos a viver mais com o avanço da medicina e também podemos até não sentir tanto gostos, mas podemos nos alimentar de muitas fontes diferentes. Pena que com tanto potencial racional, no fundo, acabamos fazendo atrocidades contra os animais, o Planeta e até contra nós mesmos que nenhum outro ser é capaz de fazer.
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CONVERSA DE VAMPIRO

Filosofar

- Da outra vez falamos sobre os filósofos, mas eu ainda fiquei em dúvida sobre alguns aspectos.

- Não falamos sobre os filósofos em si, mas sobre o que significa ser um.

- Exatamente. Eu pensei que eles fossem como professores...

- Um engano compreensível, mas entenda, filósofos não são professores, não são videntes e tão pouco revolucionários.

- Mas se tirar essas características deles, o que resta para classifica-los?

- Sábios! É o que são na realidade.

- Como um gênio?

- Não, mas quase. Entenda, um filósofo é aquele dentre todas as pessoas que consegue entender muito antes do seu tempo algo que está para acontecer ou que acontecerá num tempo ainda muito distante. É poder enxergar dentro de uma sociedade ou da própria humanidade todos os possíveis caminhos que poderão ser atingidos por ela ou ainda compreender melhor todas as coisas que fundamentam a coexistência entre os humanos. Um filósofo não irá falar para você o que vai acontecer no dia de amanhã, ele tentará fazer com que as pessoas comecem a perceber as diferentes realidades que a rodeiam, tentar fazer com que saiam das alienações criadas por uma minoria, tentar fazer com que um indivíduo se liberte das regras impostas e possa existir de fato. Nunca um filósofo consegue ver as transformações pelas quais a sociedade irá passar. Ele encontra o caminho, mas dificilmente irá trilhá-lo. Seus estudos, muitas vezes frutos de uma mente privilegiada, anteveem as descobertas da humanidade nas mais diversas áreas, mas sempre serão taxados de tolos por aqueles que não querem ver a verdade. Não falo aqui obviamente de físicos e outros cientistas que desenvolvem suas teses e então passam pela aprovação de tantos outros. Os filósofos constantemente encontram críticas vorazes em seu próprio meio. Suas teses são refutadas de todos os lados e eles mesmos sabem que todo o seu esforço só será apreciado por futuras gerações que finalmente estarão vivendo aquilo que ele muito sabiamente previu. O exercício da filosofia é ingrato, pois ele não consegue gerar instantaneamente as mudanças que defende, não consegue ver as melhorias ou mesmo desastres que estão por vir. Não é algo para anos, mas sim para décadas e séculos, mas traz em recompensa uma duração de milênios. Recompensa essa que o próprio filósofo não irá desfrutar. Aí mora muitas vezes a solidão, pois não é sempre que os pensamentos visionários encontram pares nas mesmas épocas.

- Acha que um filósofo pode reconhecer a visão correta de um outro e mesmo assim ataca-la?

- É o que os humanos mais gostam de fazer. Crie uma teoria qualquer e uma outra pessoa logo irá descordar dela. Aí então teremos duas linhas de pensamentos diferentes que por sua vez ganharão, cada uma, seus seguidores e desses seguidores outras formas de pensar irão surgir e no fim, depois de tantas voltas num mesmo assunto que forem dadas, perceberão que voltaram à fonte original de pensamento, mas são orgulhosos demais para admitir tal fato. Reconhecer a sapiência de alguém e compreender a sua linguagem é para poucos, a maioria ignorante sempre irá preferir distorcer uma verdade absoluta para transformá-la num objeto abstrato que atenda a seus anseios.

- E isso seria um roubo de uma ideia?

- Não tanto roubar, mas inverter, distorcer, manipular, usar aquilo que poderia melhorar o mundo para apenas melhorar o seu pequeno mundo particular ou de certos particulares. Lembra-se que os humanos preferem deixar a verdadeira aprendizagem longe da maioria das pessoas, por que no fim, o pequeno grupo que consegue por as suas mãos em tão refinados conhecimentos acaba por controlar todo o restante.

- Isso tudo pelo poder?

- Poder em todas as eras e hoje também pela ganância.


FUI-ME!!!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Uma armadilha, uma ficção e um avião!

Olá pessoas!

Dessa vez as postagens assumem um caráter mais profundo. Os textos são um pouco mais complexos, até podem ser chatos, mas como a proposta do meu blog é ser um lugar para que meus pensamentos não vivam apenas limitados pela mina mente, seria desconexo eu não colocá-los aqui. Confesso que gostei da linha iniciada no post anterior e resolvi tornar "Conversa de Vampiro" uma coluna de pensamento fixo. Há também um pequeno roteiro de uma cena de ficção que não poderia ser utilizada em qualquer filme que curti muito fazer e também fecho a postagem com um texto produzido para o Facebook e já lá colocado anteriormente que precisa ser preservado. Espero que os poucos que lerem acabem gostando.



Conversa de Vampiro:


Armadilha

- Como assim não conseguimos escapar das prisões que nós mesmos construímos?

- Por que, em geral, não fazemos prisões para que sejamos nós a ficarmos detidos nelas. Fazemos isso para todas as outras pessoas, aquelas pelas quais nos sentimos ameaçados. Logo é fácil entender que iremos projetar o local mais inescapável para colocar todos os que nos ameaçam ou nos fazem mal. Mas na humanidade há algo pior que uma prisão bem elaborada. A armadilha psicológica é uma das armas de amargura mais mortal para o homem.

- Uma armadilha? Que perigo pode oferecer uma armadilha, ainda mais se ela não é física?

- Humano tolo. Uma armadilha que existe em sua mente pode afetar seu fraco físico, uma vez que o cérebro sempre irá comandar todas as suas funções vitais. Mas deixemos a fisiologia de lado e nos concentremos no lado psicológico. Por razão, uma armadilha é um artificio para apanhar uma caça, um logro astucioso ou uma cilada. Nesse caso uma cilada mental. O que é interessante numa armadilha criada por alguém é que, para esse alguém, ela é algo perfeito. Tão perfeito que quem quer que nela seja apanhado, jamais irá conseguir fugir. O que reles humanos se esquecem é que muitas vezes as vítimas de suas armadilhas tendem a pensar de forma diferente deles, e uma forma diferente de pensar pode dar uma resposta solucionável a algo que antes parecia sem solução. Há sempre uma forma diferente de entender uma mesma coisa se pensado por diferentes mentes. Nem sempre algo que pareça definitivo para um será para outro, logo, uma armadilha bem pensada por um pode se tornar apenas um contratempo para um outro.

- Então é possível sempre escapar das armadilhas, sejam físicas ou mentais.

- Físicas, desde que não levem à morte imediato do capturado, talvez. Mas as mentais geralmente são armadilhas criadas por uma pessoa onde a vítima é ela mesma. E como eu disse, se o criador da armadilha julga que ela é perfeita, ele entende que a seu modo não há como sair dela. Se ele mesmo cai nessa armadilha, ele sozinho não irá conseguir sair dela, pois assim ele concebeu para si mesmo.

- E estaríamos fadados a ficarmos presos eternamente nesse tipo de armadilha?

- Um humano limitado sempre estará sujeito a se prender pelo resto de sua vida insignificante por alguma armadilha mental que criar, mas nunca eternamente, o termo para os homens é “mortal”. Mas há uma maneira de se escapar dessas armadilhas.
- Qual?

- Você me aborrece com a sua falta de sabedoria, às vezes. Ora, se o seu modo de pensar o limita a entender que a sua armadilha é perfeita para você e que não haverá modo de você sair dela, apenas com um modo diferente de pensar você poderá se libertar de algo que você mesmo criou. Pedir ajuda a outras mentes é o necessário para se escapar das armadilhas perfeitas de uma única mente, pois como eu disse, maneiras diferentes de enxergar um objeto oferecem intermináveis caminhos de se entendê-los. Mas em geral o orgulho humano detém a maioria dos homens na hora de pedir ajuda aos outros. Vocês sempre se consideram autossuficientes e acham eu podem sair de qualquer problema sozinhos.
- Então tudo o que eu preciso é a ajuda de outras pessoas?

- Você sairia mais facilmente de um poço profundo se alguém lhe jogasse uma corda ou se tentasse escalar as paredes dele sozinho? A resposta não é apenas óbvia, mas também muito pouco aceita pela maioria de vocês.

- Armadilhas de orgulho...

- Armadilhas extensas. Vocês podem se prender por paixões, por drogas, por vaidade, por ambição, por inveja, por obsessão, por crenças, por ódio, enfim, tantas podem ser essas armadilhas que é de admirar o ser humano que um dia não cai em uma delas.

- E como não cair em uma delas?

- Só uma mente muito bem preparada pode reconhecer uma armadilha que ela mesmo fabrica e não acabar presa nela. Mas convenhamos, vocês humanos não querem que as pessoas tenham mentes abertas. Isso prejudica a forma como fazem as coisas nesse mundo. Preferem gerar o caos que julgam poder controlar que oferecer a ordem que o conhecimento pode trazer. Humanos, sempre lutando para congelar no tempo que evoluir. Agora chega desse assunto.

- Um pouco de vinho?


- Acho que no momento prefiro algo mais quente!



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Você sabia?

Você sabia que ler um texto
 Acompanhado de uma bebida que lhe agrada,
  Como um café acompanhado de torrada,
   Torna a ação uma ato prazeroso  
E faz, mesmo que por associação,
 Essa arte se encher de emoção,
  E devagar você irá perceber,
   Que como o café, isso é também gostoso
O ato de ler!
E tudo isso apenas para uma boa relaxada para uma leitura continuada!
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A quase ficção: Roteiro que não deu certo.

Local: Sala de estar.
Ambiente: Tv desligada. Dois sofás. Um ocupado. Mesa de centro com tampa de vidro. Copo com um pouco de líquido. Janela aberta. Um pouco de brisa.
Personagem: Jovem, 25 anos, cabelos negros um pouco compridos, olhar perdido em pensamentos fúteis, jeans, camiseta, descalço. Bocejo.
Ocorrência: Um clarão na sala. Uma nova figura aparece no sofá vago. Salto de surpresa do protagonista.
Diálogo:

- Mas que.... quem é você? De onde?
Novo integrante: Homem, 45 anos, cabelos negros, curtos. Óculos estranhos, roupa colada ao corpo. Jaqueta rasgada. Aparelhos parecendo algum tipo de arma.
- José, me ouça.
- Como sabe o meu nome?
- Eu não tenho tempo para explicar muita coisa, mas entenda e permaneça quieto, ouvindo. Eu sou você vindo do futuro....
- Ah não. Isso não vai colar. Como é que eu fiquei assim tão louco?
- Já falei que não tenho tempo. Mas vai lá uma explicação bem curta. Você, ou eu, num futuro próximo irá ganhar muito dinheiro inventado algumas coisas muito bacanas, será muito importante, aí vai ficar doidão por um certo período e vai destruir a maior parte da vida nesse Planeta.
- Eu nunca irei fazer isso....
- Irá sim, eu, quer dizer, você fez, por isso eu voltei até aqui para conversar comigo, com você. Inclusive você mata a Cristina em seu acesso de loucura.
- A Cristina, a linda da faculdade que nem me dá bola?
- Vai dar quando você ficar rico, aí você vai se apaixonar por ela, ela por você e então fica tudo maluco e ela morre. Mas isso não vem ao caso.
- Como não vem ao caso, você sabe o quanto eu gosto dela?3
- Claro que sei. Já disse, eu sou você e nós somos loucos, mas você ainda não sabe disso.
- E qual o propósito da sua vinda então?
- Eu vim aqui para recrutar você, o eu mais jovem, para que possamos matar o nós, um eu de um tempo um pouco pra frente.
- Isso tá confuso!
- Fácil. Eu vim até aqui para pegar você, avançarmos um pouco no tempo e então você me mata, no caso, se mata, matando o nosso terceiro eu.
- Espera um pouco. Você vem do futuro para que eu possa matar a mim mesmo em um futuro que na verdade também é um passado seu?
- Exatamente.
- E por que você simplesmente não me mata agora ou então vai pra esse tempo e mata o outro você, eu, sozinho?
- Eu não posso matar a mim mesmo, você.
- Por que?
- Por que eu, você é tão fodamente inteligente que implanta um chip no próprio cérebro para se tornar uma espécie de controlador de mentes e para evitar que estrague tudo o que quer fazer durante o seu tempo megalomaníaco, eu, você coloca uma “trava” no chip que o impede de tirar a sua vida ou de tentar matar você mesmo em outros tempos.
- Eu me impeço de me matar?
- Sim, o nosso eu maluco de certo sabia que poderíamos tentar isso para evitar tudo o que aconteceu. Não há muito tempo, você aceita me matar, a você mesmo?
- Bom, eu não sei....
- Estamos falando de bilhões de vida e da vida de alguém que você vai amar demais. A dor de tudo o que eu, você fez, me consome a todo o momento e eu nem ao menos posso morrer em paz no meu tempo. Mas agora que pude voltar ao passado e provavelmente evitar o que está por vir, eu preciso da sua, nossa ajuda.
- Mas seria mais simples eu me matar, mas na boa, eu não pretendo fazer isso de forma alguma.
- Eu sei, esse é um dos motivos de ter posto a tal trava.
- Mas com você, eu me contando tudo isso, talvez eu, nós não usemos o que inventamos para tal desgraça da Terra.
- Olha, infelizmente não dá, as coisas serão inventadas e o poder irá nos consumir mesmo que não queiramos. Vamos, faça algo por você, por nós. Eu o levarei a um tempo afrente e então você apenas acaba conosco antes de ficarmos loucos.
- Se é a única maneira, então vamos.
- Pegue. É uma arma indolor. Vai ser rápido.
- Vamos!

Novo cenário: Sala de aula, vazia.
Outro personagem: Homem, 38 anos, cabelo negro, bem curto. Roupa social. Em pé, próximo ao quadro negro.
Diálogo:

- Pronto, lá está nós. Atire agora.
- Tudo bem, mas isso tudo é muito estranho.

Ação: Tiro disparado. Possível vítima se esquiva. Mais tiros, mais esquivos. Novo personagem corre em direção aos outros dois. Todos se olham.
Diálogo:

- Parem, é inútil!
- Como assim inútil? Precisamos acabar conosco antes que fiquemos malucos.
- Eu sei, mas nós não somos tão geniais assim como pensamos. Há um erro fatal na estratégia.
- Qual?
- Quando você, eu, volta no tempo para recrutar ele, eu, para me matar, a você, acaba acontecendo que já saberemos quando e como isso irá acontecer, pois quando eu sou morto, você o eu futuro desaparece e você ,o eu do passado, volta e já sabe como vai acontecer, e acredite, essa coisa de não queremos morrer é amis forte que querer evitar as tragédias que poderão surgir. É inútil por que todas as vezes já sabemos que vai acontecer e então evitamos.
- Merda.... E agora?
- Só há uma solução possível.
- Qual?
- Outra pessoa que não nós, terá que nos matar.
- Mas quem?

Novo cenário: Banheiro feminino da faculdade.
Nova personagem: Mulher, 33 anos, vestido curto, cabelos longos e castanhos, olhar assutado.
Diálogo:

- Cristina, não se assuste.
- Não assustar?  Eu vou é gritar....
- Espere, não iremos lhe fazer mal. Apenas precisamos de um favor.
- Um favor?
- Sim, preste atenção! Nós três somos a mesma pessoa e precisamos que você nos mate.
- Mas que porra é essa?

FAIL.........




E se um avião caísse do céu?

“Se um avião caísse do céu, quão grande seria o buraco que ele deixaria na superfície da Terra?” 

Essa frase eu tirei de uma canção que pertence ao grupo britânico Editors. Muito claramente, para entender o que o autor da música quer dizer temos que pensar subjetivamente. Um avião cair é algo que pode acontecer a qualquer momento, mesmo que saibamos que dentre muitos, poucos irão cair, porém eles irão cair. O tamanho do buraco, o vazio ou a insignificância de um acidente como esse sempre irá depender das pessoas que ocupavam esse avião e o que essas pessoas significavam na vida de cada um de nós. Para familiares e amigos, uma dor irreparável, para desconhecidos, apenas mais um fato na vida de alguém.

A verdade é que a morte sempre muda o mundo, o mundo da gente ou o mundo de toda a gente. Diz-se que um soldado inglês teve na mira de sua arma um certo Hitler enquanto no fim da primeira guerra mundial, decidiu então, fosse por piedade ou por ver o inimigo desarmado, poupar-lhe a vida. As coisas, enfim, acontecem de formas determinantes demais. E quem somos, tão grandes em nossa ignorância dos acontecimentos da existência humana, para entendermos ou tentar entender o porquê alguns lances da vida se desenrolam dessa ou daquela forma? Se for destino, coincidência, cartas marcadas, lances de sorte ou azar, tanto faz, não importa. Aconteceu.

Nesses últimos dias alguns acidentes aéreos aconteceram: um avião derrubado por mísseis que poderia, mas não pode, desencadear uma resposta militar mais pesada entre dois países já rivais de longa data. Um outro que simplesmente sumiu para se transformar em um tipo de mistério da era contemporânea e um terceiro, aqui mesmo no Brasil, foi tão inesperado que pode significar uma mudança radical onde todos achavam que nada iria mudar.

A morte realmente muda o mundo, o seu, o meu e o de todos. Não era assim que eu preferia ver o meu país reagir e mudar; acordar, mas talvez seja exatamente por causa disso que tudo mude. Quantos títulos a mais Ayrton Senna poderia ter ganho? Quantos avanços sobre a Aids poderíamos ter pelos cientistas que estavam no avião que foi derrubado? Quão sério poderia ter sido o governo do candidato que estava naquele fatídico voo?

As respostas nunca saberemos, mas o fato é que boas pessoas tentaram nos mostrar o caminho do bem comum enquanto estiveram conosco e é de seus melhores anseios que devemos tirar as lições determinantes para que possamos erguer a cabeça, nos orgulharmos do que e de quem somos e arrancar a coragem do nosso âmago para transformar o nosso mundo.

Vá em paz Eduardo Campos, que a sua luta a gente continua daqui. Por que parar no tempo é a covardia do acomodado e a mudança é a coragem para a transformação.




FUI-ME!!!